Cosméticos Veganos: Essa moda vai te conquistar!

Muito mais que uma dieta que exclui carnes, laticínios, ovos e alimentos de origem animal, o veganismo é  um estilo de vida que também prega o fim da exploração animal em outros âmbitos do consumo humano, como vestuário, higiene, beleza e entretenimento.

Os veganos boicotam tudo que consideram sofrimento aos animais, desde o uso de peles e extração de Lã, Seda e Couro para confecção de roupas, acessórios e calçados até eventos que lucram com a exploração animal, como rinhas, touradas, rodeios e espetáculos com golfinhos.

Quando o assunto é beleza, os veganos não compram produtos formulados com ingredientes de origem animal comumente usados pela indústria cosmética, como Lanolina, Tutano de Boi, Colágeno, Queratina e muitos outros. Além disso, se declaram totalmente contra aos testes em animais.

Por isso, só compram cosméticos que receberam certificação de instituições que se dedicam a reconhecer empresas que fabricam produtos (alimentos, cosméticos, produtos de limpeza e de higiene pessoal) de acordo com as exigências da filosofia vegana, como Cruelty Free International, PETA e muitas outras. No Brasil, a Sociedade Vegetariana Brasileira emite o Selo Vegano a empresas brasileiras que desenvolvem e produzem produtos veganistas.

Veganismo: origem e atualidade

O termo “vegan” foi usado pela primeira vez em novembro de 1944, na Inglaterra, quando o ex-secretário da Sociedade Vegetariana de Leicester, Donald Watson, organizou um encontro com outros cinco vegetarianos que, assim como ele, não consumiam ovos, leite e derivados. Contrariados pela instituição, que acreditava ser impraticável uma alimentação que exclui ovos e laticínios, o grupo sentiu necessidade de criar um novo termo para se diferenciar dos vegetarianos. Ficou estabelecido “vegan”, que contém as três primeiras e duas últimas letras da palavra “vegetarian”.

Watson e seus companheiros sonhavam em difundir o veganismo e pregar o fim da exploração animal, por isso, fundaram a Sociedade Vegana – em inglês, The Vegan Society – e lançaram o Vegan News, primeiro boletim informativo sobre veganismo que chegou a ter mais de 500 assinantes e trazia notícias, receitas, classificados e listas de produtos livres de ingredientes de origem animal.

Em boa parte da Europa e, principalmente, nos Estados Unidos as ideias disseminadas pela The Vegan Society começaram a ser bem aceitas por volta dos anos 1970. Em 1994, a instituição estabeleceu 1° de Novembro como Dia Mundial Vegano em comemoração aos 50 anos da instituição, que já contabilizava mais de 100 mil veganos em todo Reino Unido.

Não demorou muito para o veganismo ser adotado por celebridades. Na lista de famosos que atualmente se declaram veganos constam os nomes de Morissey, Joan Jett, Brad Pitt, Alicia Silverstone, Mayim Bialik, Alanis Morissette, Pamela Anderson, Natalie Portman, Jared Leto, Miley Cyrus, Lea Michele e muitos outros. No Brasil, temos Tatá Werneck, Luisa Mell, Thaila Ayala, Fernanda Paes Leme, Xuxa Meneghel e João Gordo. Com tantas influências, o veganismo se popularizou e conquistou seguidores em todo o mundo.

Segundo artigo publicado no Food Revolution, em 2014, apenas 1% dos norte-americanos se identificavam como veganos. Em 2017, aumentou para 6% os que adotaram o estilo de vida nos Estados Unidos. Outra pesquisa – dessa vez realizada em 2016 pela The Vegan Society – 542 mil pessoas se declararam veganas no Reino Unido. Dez anos antes, eram 150 mil adeptos. Com esta comparação, a Sociedade Vegana acredita que o veganismo é o estilo de vida que mais cresce atualmente.

No Brasil ainda não existem pesquisas que mostrem o número de habitantes que adotaram o veganismo. Porém, uma pesquisa do IBOPE conduzida em abril de 2018 mostrou que 14% da população brasileira se declara vegetariana. Isso significa que quase 30 milhões de brasileiros excluem a carne da alimentação. A estatística representa um crescimento de 75% em relação a 2012, quando a mesma pesquisa indicou que 8% da população se declarava vegetariana. Os números mostram que existe, ao menos, simpatia por parte dos brasileiros a um estilo de vida como o veganismo.

O uso de ingredientes vegetais na fabricação de cosméticos

Existe uma gigantesca lista de ingredientes de origem animal usados na fabricação de produtos para maquiagem, esmaltes, perfumes e cosméticos em geral. Como exemplo, podemos citar a Queratina, proteína obtida nos chifres, cascos, penas e pelos de vários animais que é usada na fabricação de máscaras, condicionadores, xampus e outros produtos para o cabelo.

Para os veganos, boicotar produtos de beleza fabricados com ingredientes de origem animal é um modo de exigir que a indústria cosmética invista em matérias-primas vegetais. Por exemplo, já existem cosméticos desenvolvidos com Queratina Vegetal, que é desenvolvida pela combinação de proteínas hidrolisadas que são encontradas no Arroz, Milho, Trigo, Soja e Algas Marinhas.

Quando se trata do Brasil, existe uma imensa biodiversidade a ser explorada para o desenvolvimento de produtos de beleza com ingredientes vegetais. Na Amazônia, por exemplo, existem frutos como Cupuaçu, Murumuru e Pracaxi que contém propriedades naturais capazes de hidratar intensamente pele e cabelo.

Do Cupuaçu é extraído uma manteiga rica em fitoesteróis, que hidratam a pele e condicionam intensamente o cabelo; antioxidantes, essenciais para combater os radicais livres e manter a jovialidade da pele; e propriedades calmantes que cicatrizam a pele lesionada.

Do Murumuru é fabricada uma manteiga vegetal capaz de nutrir e hidratar pele e cabelo. Já do Pracaxi é obtido um óleo poderoso que diminui aparência de manchas, combate o envelhecimento, uniformiza a tonalidade e restaura a luminosidade natural da pele.

Além desses múltiplos benefícios, essas frutas amazônicas ajudam no desenvolvimento econômico e na preservação ambiental do Brasil. Empresas como a Beraca – que atua no fornecimento de matérias-primas da biodiversidade brasileira para indústria cosmética nacional e internacional – investem em parcerias que beneficiam mais de 2500 famílias em 105 comunidades ribeirinhas e núcleos de agricultura familiar de diferentes regiões do país.

Naturais, Orgânicos e Veganos: como diferenciar os cosméticos?

A indústria de cosméticos brasileira já disponibiliza uma variedade incontável de produtos para pessoas que desejam consumir sem desrespeitar os animais e o meio ambiente. Com tantas opções – que vão de cosméticos orgânicos e ecologicamente corretos a produtos de beleza veganos – o consumidor pode se sentir perdido, pois um produto natural ou orgânico, não necessariamente é vegano. Por isso, é preciso aprender a diferenciar os cosméticos.

COSMÉTICOS NATURAIS – Têm 95% de matérias-primas naturais e 5% de ativos orgânicos ou sintéticos que não estão na lista de proibidos;
COSMÉTICOS ORGÂNICOS – Têm 95% de matérias-primas naturais e 5% de água ou ativos naturais que precisam ser cultivados de forma orgânica (exige-se certificado específico para isso)
COSMÉTICOS VEGANOS – Não possuem ingredientes de origem animal e também não são testados em animais. Existe certificado específico dado somente a marcas que cumprem todas as exigências “cruelty free”.

A dermatologista Patrícia Silveira, que é especializada em cosméticos naturais, explica que para ser considerado natural um produto deve possuir uma formulação que contém ingredientes de origem vegetal, mineral ou animal sem que suas propriedades naturais tenham se perdido no processo de fabricação.

Já os cosméticos orgânicos contém ingredientes naturais que foram cultivados sem o uso de agrotóxicos e pesticidas. Por último, os cosméticos veganos são produtos que, além de serem formulados somente com ingredientes de origem vegetal, também são cruelty free, ou seja, não são testados em animais.

Testes em animais

Em nome da beleza humana, animais dóceis e de pequeno porte, como cães, gatos, primatas e roedores, são submetidos a experimentos cruéis e dolorosos que avaliam reações tóxicas, alérgicas e cancerígenas de cosméticos e produtos de higiene.

Presos em gaiolas de laboratórios, onde também não há luz adequada, esses animais sofrem constantemente com dores e reações alérgicas causadas por produtos de beleza  que são aplicados em seus olhos e peles. Além disso, a soma de todos estes fatores, causa estresse, depressão, medo, pânico e, consequentemente, a morte destes animais que, logo depois, são descartados como objetos usados.

Para o Instituto Nina Rosa – que é dedicado a lutar pelos direitos do animais e difundir o veganismo aqui no Brasil – esta prática é baseada na ultrapassada hipótese de que experimentos científicos respondem do mesmo modo em animais e seres humanos. “Os resultados gerados por experimentos em animais são primários e não confiáveis, pois não fornecem a garantia que esses produtos serão seguros para seres humanos”, argumenta a instituição.

Durante anos a indústria cosmética usou animais para avaliar os efeitos tóxicos e alergênicos de substâncias encontradas dentro de bases, batons, sombras, máscaras de cílios e muitos outros produtos de beleza. Porém, isso começou a mudar. Como exemplo, podemos citar a Natura, por exemplo, conquistou o selo The Leaping Bunny, que é concedido pela Cruelty Free Internacional somente a empresas que usam métodos alternativos para testar seus produtos.

Em 2006, quando adotou a sustentabilidade como filosofia, a Natura parou de testar seus cosméticos em animais e, desde então, desenvolveu 67 metodologias em parceria com universidades e instituições de pesquisa nacionais e internacionais. Dentre elas, está o uso de modelos 3D de pele e córneas que possibilitam a investigação de irritação e alergia, pois apresentam características iguais a estes órgãos humanos.

Atualmente, a Natura – uma das marcas que lidera o segmento de vendas diretas de cosméticos – sente orgulho de anunciar que as fórmulas de seus atuais produtos têm em média 81% de ingredientes de origem vegetal e que muitos de seus produtos podem ser considerados veganos – como sabonetes em barra, cremes, shampoos e hidratantes da linha Ekos.

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